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Um Rabisco sobre Modelos


Modelos

Às vezes usamos algumas palavras ou arriscamos um conceito; às vezes faz sentido, às vezes...

O “Modelo” habita nosso imaginário (no bom sentido, falo de “modelos” e não das modelos) técnico, certamente já escutamos e até já falamos coisas como: “se fizermos um modelinho podemos resolver esse negócio”.

Não precisa ser complexo para ser modelo, muito pelo contrário, o modelo tem de ser simples. O modelo não encerra em si a solução, muito pelo contrário, é só um meio de entender o problema e nos direcionar para o método de solução.

Piorou?

Sorry, precisa piorar pra melhorar.

O Modelo é assim, transformamos a complexidade e diversidade de um problema real em uma apresentação simples que o traduz e permite-nos enxergar formas de resolvê-lo.

Vamos tentar uma explicação que combina com a definição de modelo – simples:
  1. Modelo é uma representação da realidade;
  2. Modelo é uma representação da realidade projetada para algum propósito definido;
  3. Modelo é uma representação da realidade que é planejada para ser usada por alguém responsável pelo gerenciamento ou entendimento da realidade;
  4. Modelo é uma representação de parte da realidade vista pelas pessoas que desejam usá-lo para entender, mudar, gerenciar e controlar aquela parte da realidade;
  5. Modelo é uma representação externa e explícita de parte da realidade vista pelas pessoas que desejam usá-lo para entender, mudar, gerenciar e controlar aquela parte da realidade.
Então, Modelagem, ou a tradução do problema em uma representação simplificada em highlights:
  1. O Modelo sempre deve ser uma simplificação da realidade;
  2. O Modelo deve ser consistente com as informações disponíveis;
  3. Os resultados do Modelo devem atingir suas necessidades;
  4. Não multiplique as entidades do Modelo desnecessariamente;
  5. O modelo deve ser analisado no tempo disponível à sua concepção;
  6. Os modelos não precisam ser exatos para serem úteis
Vamos tentar um exemplo prático:

É preciso dimensionar uma frota que vai sair de uma só origem para múltiplos destinos em uma mesma região; os destinatários são diferentes com horários de recebimento, tempos de espera e descarga, locais de acesso, tráfico mais ou menos pesado em função do dia da semana e horário.

Um problema absolutamente recorrente que é resolvido todos os dias pela experiência, ou roteirizador, ou por tentativa e erro. A questão é: consegue-se assim a melhor solução?
Quando modelamos o problema, equacionamos as variáveis e restrições, passamos a entendê-lo e podemos escolher a melhor ferramenta para resolvê-lo.

De forma resumida, a modelagem nesse caso deve contemplar o levantamento dos dados de origem, destinos, demandas, capacidades, e restrições. Esses elementos combinados de forma a representar a realidade forma o desenho inicial do modelo.

Note que o modelo vem do mundo real e volta pra ele; isso significa que com a compilação dos dados, simplifica-se o problema (mundo simbólico) e voltamos para o mundo real já de forma organizada em busca da solução. Veja também que a intuição e experiência, muito importantes em nossos tempos, fazem parte do instrumental para o desenho do modelo.




Desenho pronto, pode-se visualizar a solução desejada e assim parte-se para o estudo da escolha da ferramenta a ser utilizada. As ferramentas merecem um capítulo (ou livros) a parte, mas apenas pra citar as três principais ferramentas utilizadas em problemas de Transportes: Heurística, programação linear e simulação computacional.

O modelo também pode ser usado para a melhoria de um processo, ou a solução de uma questão gerencial.

A modelagem, no final do dia, nos permite ter uma visão sistêmica do problema e estudar a melhor solução, dependendo da ferramenta a solução ótima.
Menor custo, cumprimento de nível de serviço, otimização ou minimização da frota, ou números (ou tamanho) de centros de distribuição; problemas complexos se resolvem com modelos simples.

Obrigado e um abraço ao improvável leitor.

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